O Eu Superior deve resistir aos mercados

Por Manoel Fernandes |

O que a Paz interior e o êxito empresarial têm em comum? Como conciliar uma vida transcendente com o dia a dia material, incessante, às vezes estressante, por necessidade e pelo ímpeto humano do progresso? O que é espiritualidade de uma forma geral? O que é espiritualidade para quem optou por uma vida laica?

Muitas questões assim são feitas por profissionais de todos os quadrantes, nas empresas e nos mercados. Estamos em um tempo de exigência intelectual e mental, muito além dos dogmas e crenças obsoletas. Crer e saber se digladiam como se fossem inimigos, com convivência impossível. O vazio depois de uma jornada de trabalho pode levar a vantagem obtida pelo bom negócio feito, engolir a valorização das ações, desmoronar a oportunidade que só você viu. O vazio interior é implacável para o profissional.

Todos nós, de diversas áreas e idades, buscamos alternativas que conciliem uma vida produtiva profissionalmente, pessoalmente simples – mas sem privações – e uma felicidade plena, que já vem de “fábrica”. O plugin nativo de cada ser.

Vejo um carro em uma longa avenida congestionada; buzinas, disputa por cada espaço, caos, a fúria no ar. Quanto de energia você pode dispender, antes de perceber que você não é tudo aquilo? Vejo slides, ppts, a mesma coisa todos os dias; e você não vê sentido em certas rotinas.

Não somos isto: dentro de cada um ainda insiste em viver um ser que é capaz de coisas belas. Sonhar, criar, amar os semelhantes, se relacionar com a natureza. Respirar. Você já respirou profundamente hoje? Sentiu o ar penetrar nas suas entranhas, além do seu checklist?

Não, eu não quero falar de índices, indexações, métricas, retornos financeiros, investimentos, core bussiness. Deixa isto pra lá. Você está há tanto tempo no templo do mercado que já sabe isso de cor. Quero ir além. Quero falar de situações memoráveis.

Quero, na minha empresa, o “Departamento do Mundo Interior”. Todos sentados no chão por alguns instantes, pensando naquilo que poderiam ser; naquilo que deixaram de ser; naquilo que esqueceram de ser. Todos por alguns instantes do dia abandonando suas frustrações, voltando a ser crianças felizes, como quando nada era impossível; sendo felizes, a viver por alguns instantes todos os dias o que de fato importa.

Quero, também, na minha empresa, a “superintendência de reciclagem das emoções” (SRE para quem ainda é preso a siglas), para “coordenar” a reciclagem daquelas emoções que não nos levam a nada, dentro e fora das empresas: o orgulho que nos aprisiona, o egoísmo que nos reprime, a inveja que nos contamina, a falta de perdão pelos erros do passado. Tudo pra reciclagem! De uma forma honesta e franca. Cada emoção inútil passada no processador da consciência e transformada em oxigênio para alimentar o “Eu Superior”.

O Planeta requer das empresas, organizações e profissionais atitudes que despertem algo abandonado. Atitudes para o coletivo e para o individual. Olhar sem esquecer de cada parte. Uma placa com a missão empresarial na parede é uma única coisa: é “uma placa com a missão na parede”. Precisamos ir além das formas materiais, buscar algo a mais nas relações de equipe, nas relações com clientes, nas relações como seres vivos. Uma relação corporativa é uma relação humana. Viver em uma ou com uma empresa deve ser um ato de prazer, de alegria, não um sofrimento. Um fim de semana com a família e com os amigos deve ser integral, não dividido ou por obrigação.

Tanta coisa ainda a dizer, tanta coisa ainda a sentir, quem sabe nos encontramos por aí, semanalmente; ou secularmente.

E quer saber? Let’s Dance!

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