Empreendedorismo e a potência da Fênix

[Por Manoel Fernandes Neto]

O grupo de “Empretecos” da turma maio de 2010, Blumenau, se reuniu no sábado, 20 de junho. O objetivo: compartilhar experiências empreendedoras e reflexões.
Um encontro prático e produtivo, para manter viva a chama de transformação empreendedora baseada nos ensinamentos do curso Empretec, ministrado pelo Sebrae.

Foram muitas as experiências relatadas. Ouvimos experiências de aplicação em mudanças variadas nas organizações em que atuam e hoje vistas com outros olhos. Enxergavam, cristalinamente, melhorias internas e oportunidades externas. Nada era como antes.

Ouvimos também da coragem que muitos adquiriram para perseguir a quebra constante de paradigmas e enfrentar adversidades. Alguns empreendedores apresentaram planos inéditos aos sócios ou à alta direção da empresa; outros assustaram interlocutores e colaboradores, tamanha a determinação na mudança de rota, de hábitos nos negócios e na vida pessoal.

Em uma conversa informal, um dos amigos me confessou que depois de quase uma década, tomava a atitude de adquirir dois carros-zero, novinhos em folha; um para a empresa, outro para si próprio. Um investimento necessário, sempre adiado em virtude de razões insustentáveis e insegurança injustificável. Disse mais: acabara de adquirir uma viagem de férias para o nordeste do Brasil, em comemoração aos 35 anos de casamento. A esposa adorou. Enfim, iriam aproveitar o cumprimento de todas as metas alcançadas de seu negócio. “Empreendedor tem que ser feliz”, me disse com olhos brilhantes.

Fênix

Essa felicidade confirma que passar pelo curso é algo mais profundo do que somente cuidar de negócios, eficiência, qualidade, oportunidades; claro, fatores também muito importantes. Existe um elemento íntimo, elaborado de forma única, individualmente, pelos participantes. Algo além da matéria, do tangível. “Ser Empreteco” – de uma forma ou de outra, os presentes revelaram – é um “estado de espírito”, que transcende a agenda empresarial.

A propósito, foi justamente a necessidade de manter essa motivação pós-curso um dos assuntos do encontro. O dia a dia nos negócios, com seus desafios e dificuldades, pode forçar o empreendedor a voltar ao patamar anterior aos novos aprendizados. Ou melhor: como lutar contra o desânimo, às vezes inevitável, no decorrer da nossa trajetória? Após muito refletir, me ocorre o mito da Fênix: uma história relembrada por Adenáuer Novaes, em um livro de filosofia que muito admiro: “Mito Pessoal e Destino Humano”.

Na obra, ele reconta a mitologia grega dessa ave, única da espécie, bela e imponente. A cada 500 anos morria e renascia de si mesma. Quando esse instante se aproximava, reunia plantas aromáticas no seu ninho e ateava fogo em si própria com seu calor. A morte ocorria de forma simultânea à sua nova geminação, a partir das próprias cinzas produzidas pelo corpo. Breves momentos de agonia… e uma nova Fênix surgia. “Majestosa e bela, cujo primeiro ato era visitar o Egito, fazendo seu voo real”.

Fica o simbolismo: que em nossos dias de empreendedores possamos despertar em nosso íntimo o que Adenáuer Novaes chama de “potência da Fênix”; com ela, encararemos derrotas e vitórias como um processo natural de aprendizado. Para acordarmos renovados, a cada manhã; renascidos para novas vivências. “Só há evolução com esforço, sacrifício e queima de energias, numa permuta constante com as experiências da vida”, completa Adenáuer.

É assim que o verdadeiro empreendedor age. É assim que um Empreteco sente.

Manoel Fernandes Neto, 47 anos, é jornalista, diretor de CMM Interativa (www.cmminterativa.com.br ) e Empreteco desde maio de 2010.

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